Para iniciarmos 2009, com dois pés direitos, uma HQ bem ao estilo de Rifle Comprido, um fã para lá de apaixonado e um encontro...que, na verdade, se deu em novembro de 1978, quando adquiri o meu primeiro KEN PARKER.




1 da coleção KP Magazine, a revista Fumo di China (Edizioni NED 50 Srl) em sua edição de junho de 1993, traz a matéria KEN PARKER, herói por acaso. Com direito a entrevistas de Berardi & Milazzo e Pasquale Frisenda (representando os novos desenhistas da saga), a publicação aborda a nova fase de Rifle Comprido, cinco anos e cinco meses depois do último capítulo de UM HÁLITO DE GELO (Comic Art 40) ir às bancas italianas.
3° O curso de Editoração em História em Quadrinhos que você fez na USP foi seu primeiro contato com a Nona Arte de modo profissional?
Não. Antes disso eu já trabalhava como desenhista do gibi Os Trapalhões, no estúdio do Ely Barbosa. O curso na ECA foi uma tentativa de me aprofundar na parte mais técnica da produção, do corpo de uma revista, e não apenas de uma HQ isolada. E foi muito legal. O Gualberto e o Jal eram os professores (tinham substituído a Sonia Bybe Luyten) e levavam caras como Ziraldo, Maurício de Souza, Angeli, Fernando Gonzales pra gente ouvir. E tudo terminou com mais uma edição da Quadreca, o fanzine-laboratório de HQ. Aliás, publiquei uma HQ na Quadreca há uns 2 anos. Foi quase uma "A volta dos Mortos-Vivos" (rs)...
Nos Quadrinhos, Albert Uderzo, Will Eisner, Morris, Neal Adams, Buscema, Hal Foster e Alex Raymond. Mesmo no meu estilo cômico, sei que aprendi com eles muita coisa de anatomia, perspectiva, movimento, construção de cenas. Nas caricas: Mendez, J. Carlos, Belmonte, Paulo e Chico Caruso, Edgar Vasques, Ziraldo, Loredano, Mulatier, Morchoisne, Rampal, Sebastian Krüger, Al Hirschfeld.
5° O que gosta de ler e quais quadrinhos compra hoje em dia?
Leio tudo. Revistas (como Ser Médico, Pesquisa e Tecnologia, Revista do Brasil, Caros Amigos, Piauí, A Semana, Wismania, Mundo dos Super Heróis), livros sobre Quadrinhos (todos do Gonçalo Junior e Maurício Pattos de Sá) e de temas variados (estou lendo Zorro de Isabel Allende e Os Príncipes da Irlanda, de Edward Rutherfurd), mas jornais como Folha e Estadão só quando vou ao sindicato (Sinergia) que publica minhas charges. Estou cansado de notícias superficiais, tendenciosas e mal escritas. É isso que a gente encontra nas Vejas e Folhas da vida.
Quadrinhos: Marvel Max, Fábulas Pixel, Superman & Batman, LJA, Julia Kendal, KEN PARKER, tudo do Spacca (Santô, Debret, D. João carioca), As obras de Carl Barks, Spirit (velho e novo), Tex, Aú (o capoeirista), Literatura em Quadrinhos (tudo), quase tudo do selo Quarto Mundo, Conan, MAD, Zupi (revista de arte), Samurai Executor, tudo do Osamu Tesuka e do Joe Sacco, tudo do Marcatti, Turma da Mônica Mangá, Turma do Xaxado, Graffiti.
6° Recentemente lançou o álbum Dom Quixote, ilustrado por você. Conte-nos um pouco sobre o processo de criação e como foi trabalhar com uma das maiores obras da literatura universal?
Li essa obra genial na íntegra em março de 2007, comecei a preparar o roteiro em maio ao mesmo tempo em q
ue fazia o estudo de personagens, de roupas, arquitetura e cenários. A pintura seria toda em aquarela. Um amigo, o jornalista e pesquisador de Quadrinhos e Caricaturas João Antonio Buhrer, me emprestou a adaptação publicada pela Ebal na década de 50 e muito material gráfico.
Originalmente teria 120 páginas. Em junho a minha idéia era publicar em dois volumes, como no original. Em dezembro de 2007, com 80 páginas roteirizadas, 15 arte-finalizadas, 6 coloridas, 40 esboçadas, os editores pediram que eu reduzisse para 80 páginas. Eram questões de custo final e perfil editorial. Apertei as primeiras 40 para coincidirem com a metade do livro e refiz o roteiro das outras 40. Levei até janeiro de 2008 para finalizar os desenhos com nanquim e escrever os diálogos. Claudia e Thais, minha mulher e filha ajudavam a apagar o grafite das páginas para eu poder xerocar e pintar com aquarela. Tudo isso era digitalizado. As páginas p/b eu postava no blog; as coloridas, em alta resolução, eu apagava os balões, retocava e guardava para digitar os textos definitivos. Em fevereiro de 2008 me enviaram o texto revisado. Em março fizemos a primeira impressão em p/b já com o texto novo.
Terminei de pintar e digitalizar a HQ em 15 de abril de 2008.
No dia 19, estava tudo gravado num DVD, inclusive a capa nova (um close na cara estropiada de Dom Quixote), que acabou mudando pra se diferenciar da série Literatura Brasileira em Quadrinhos.
Uma pena, pois eu tinha feito uma versão da capa de Antonio Euzébio para Edição Maravilhosa da Ebal.
Durante esse tempo todo, fiz pausas para pesquisas e minha produção normal: Charges para Sindicatos (Sinergia, Sindipetro, Sindiquim); Quadrinhos para revistas (Front, Quadrinhópole, Câmara de Itatiba, Fundacentro) ; ilustrações (Rigesa, Caterpillar, Unimed); caricaturas para a internet, atualizações de fotologs e ainda buscar a filha na escola, levar no caratê, etc.
Só no D. Quixote, gastei uma caixa de aquarela Sakura, uns 8 litros de água (pra aquarela, não pra beber), 3 canetas pretas (artist pen) Pitt Faber Castell, 12 canetas descartáveis de nanquim UniPin japonesas, 0.3, 0.5 e 0.8 mm, 5 canetas de retroprojetor, 10 caixinhas de grafite 2B, 0.7mm, Pentel, 4 canetas pretas ponta porosa Faber Castell (ótimas), 3 marcadores de retroprojetor pretos da Pilot, 4 borrachas TK-Plast grandes (alguém fez uma denúncia sobre a caixinha verde que era tóxica, mas continua sendo a melhor borracha pra apagar lápis que já usei), 180 páginas de papel Chamex Super, A4 e 90 cópias xerográficas...em algumas épocas cheguei a trabalhar 18 horas, num dia, sem parar.
Quando arte-finalizava, cheguei a fazer 5 páginas por dia no nanquim. Isso me dava dor na parte de cima do braço, a conhecida tendinite. De 1 em 1 hora eu levantava e alongava os braços e costas.
7° Vamos a KEN PARKER. Quando se deu, seu primeiro contato com Rifle Comprido? Foi paixão a primeira lida?
Sim. Desde que Cisco Kid, Tenente Blueberry, Comanche, não eram mais publicados, parei de ler esse estilo de Quadrinhos. Mas quando, sem querer, folheei uma revista do KEN PARKER na banca, fiquei estático. A arte de Milazzo me ganhou de primeira. Entrei no ônibus e ao ler as 10 primeiras páginas, a escrita fantástica de Berardi me ganhou de segunda! Apesar de KEN PARKER ter surgido aqui em 1978 (Editora Vecchi), eu só fui conhecer a série em 90, KEN publicado pela Best News. Achei alguns exemplares em sebos e depois, li os editados pela Mythos. KEN PARKER, assim como Tex, é um belo exemplo de Quadrinhos com Q maiúsculo.
As melhores: O MESTIÇO MÉTIS (que trama fantástica), UM PRÍNCIPE PARA NORMA (poesia em forma de HQ), FILHOTES, A LUA DA MAGNÓLIA EM FLOR, SOLEADO E PÁLIDAS SOMBRAS.
As piores? Passo! Não foram feitas!
O índio Kamoose, amizade é algo que devemos valorizar na vida real e nos quadrinhos e a sua morte nos braços do KEN PARKER (SILÊNCIO BRANCO) foi antológica.
Norma Jean, linda homenagem à estrela de cinema Marlyn Monroe, e ela balançou o coração de nosso herói.
Taí, amizade e amor verdadeiros!
10° Ivo Milazzo, em entrevista, anunciou recentemente que está trabalhando num roteiro de Berardi, para enfim, finalizarem a saga de Rifle Comprido. Você é a favor dessa volta? Porque?
Claro que sou. Esta dupla trabalha em total sintonia. É só ver a série aquarelada que o Clube dos Quadrinhos (CLUQ) publicou aqui. Mesmo sem o texto precioso de Berardi, a sua história está lá presente. Os 4 álbuns mostram detalhes solitários da vida no campo com um grau de delicadeza e poesia, que poucos conseguiram atingir.
Eu só não gosto da idéia deles "finalizarem" a saga. Por quê? Poderiam continuar pra sempre! Os leitores de boas HQs só teriam a ganhar!




ardi concedeu uma entrevista ao jornalista Sidney Gusman, do Universo HQ. Quanto ao futuro de KEN PARKER, declarou: “...Entendo que, para a maioria dos nossos leitores, seria fantástico ver Ivo trabalhar com um roteiro meu. Mas a retomada de nossa parceria deveria acontecer em KEN PARKER. No entanto, se não encontrarmos uma editora com fidúcia, nem vou começar, pois para terminar a série preciso de mais seis, sete, oito episódios e quero uma editora que me diga: “Faça-os!”; e não de uma que verá se a primeira edição vai dar certo para saber se continua. Interrompi KEN PARKER duas vezes, não o farei uma terceira. Ou me dão a possibilidade de acabar a série ou não recomeço.”KEN PARKERBlog
Curiosamente, as quatro primeiras partes da história são em cores e a última, preto e branco. Coisas de Orion?
e falar em Martin Mystère, Dylan Dog, Napoleone, Nikita sem citar Giampiero Casertano (26/04/1961, Milão, Itália). Esse artista de traços marcantes, assombroso “claro e escuro” e perspectivas para lá de arrojadas, no entanto, começa sua carreira na Sergio Bonelli Editore (SBE) como simples auxiliar de Carlo Ambrosini, na série KEN PARKER, no início dos anos 80.
João Guilherme

É na arte do maranhense Markony, revivendo a participação de Giancarlo Berardi no 5º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), Belo Horizonte (16 a 21 de outubro de 2007), que abraçamos o Mestre no dia de seu aniversário.
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as edições PELE-VERMELHA (KP 26), A LENDA DO GENERAL (KP 32), CRÔNICA (KP 37), A MULHER DE COCHITO (KP 45), HISTÓRIAS DE SOLDADOS (KP 50 - Episódio Morte em Resaca), A FÚRIA DE NAIKA (KP 52 - Em parceria com Giampiero Casertano), A PRÓPOSITO DE JÓIAS E TRAPAÇAS (KP 56), OS GAROTOS DE DONOVAN (KP 59), e IMMAGINI (história publicada em KP magazine 23), roteiro de Berardi, que narra o encontro de Ken com Daylan Dog, ainda inédita no Brasil.
todos os heróis! Muito próximo de você!"
S TITÃS (CLUQ-1999) foi publicada, originalmente a cores, em cinco capítulos, nas páginas da revista Comic Art (números 16 a 20), no período de novembro de 1985 a março de 1986.

